Cenas do Rio Pinheiros

9 fevereiro 2016

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Forma

Na saga de documentar a vida/ morte do nosso protagonista João, ouvimos de sua esposa Francisca as lembranças de que na memória imagética da ainda não conhecida São Paulo, pairava a promessa de nadarem nas águas límpidas do Rio Pinheiros. Que na época (década de 1940) começava a ser poluído.

Hoje, o Rio Pinheiros é morto. Ficou reto, perdeu suas curvas e, junto ao Tamanduateí e ao Tietê, se transformou em cadáver a céu aberto.

A preparação da interferência que ocorreu na Zona Oeste, contou  com a participação de grupos parceiros: o Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes e  a Cia. Antropofágica.

Após diversos encontros para concepção da intervenção, foi nos vagões do trem da CPTM que se locomove nas margens do Rio Pinheiros que a intervenção ocorreu, a partir da  teatralização de três programas radiofônicos diferentes: uma radio novela cuja narrativa de um tempo passado nos mostrava um Rio Pinheiros limpo, lugar de encontro para competições e lazer; um programa de jornalismo policial sensacionalizando a morte do Rio; a apatia da viúva/ população; a exploração de suas águas sujas e, por fim, em diálogo com o programa eleitoral,  dados documentais acerca do reservatório Cantareira, da crise da água e sobre a má administração do governo do estado são revelados enquanto o espectador observa o próprio Pinheiros, que morto, é visto em movimento numa ilusão fabricada pela janela do trem.