A MORTE na VIDA da grande Cidade

2 fevereiro 2016

terrenos 3

foto Julia.

A partir do relato de Francisca surgem uma série de interferências cênicas urbanas de caráter documental em quatro diferentes espaços, que explícita ou implicitamente apresentam simbologias associadas à morte do marido da autora da história na Cidade de São Paulo. Esse lugares são revisitados pela Cia Teatro Documentário, sempre com um grupo parceiro (Estação da Luz /Zona Norte; Rio Pinheiros /Zona Oeste; Galpão desativado de uma fábrica/Zona Leste; e Cemitério Vila Mariana/ Zona Sul), em parceria com grupos teatrais (Uzinominados/Zona Norte, Companhia Antropofágica/ Zona Oeste, Dolores Boca Aberta/Zona Leste e BravaCia./Zona Sul

Nessa proposta, o que entra em jogo é a própria capaCidade de cada coletivo se retroalimentar da materialidade artística do outro. O desafio é o diálogo. O repertório de subjetividades explorando respostas múltiplas a uma mesma formulação precisa favorece a cena e a alteridade do próprio artista. Do contrário, o jogo não se estabelece. O que se evidenciou em nossa prática é que os modos de produção estão ligados aos discursos propostos.

Com as intervenções, pretendemos em algum grau alterar fisicamente o retrato da Cidade e, sobretudo, o imaginário simbólico de parte de seus habitantes. A experiência proposta passa ser uma manifestação artística urgente para uma Cidade cuja correria do dia a dia, imposta pelo modo de produção dominante, roubou a poesia do cotidiano na Estação da Luz – (centro/norte) na década de 1940 A Cia. Teatro Documentário desembarcou em 2014 e, em coautoria com o grupo parceiro Refinaria Teatral, pela primeira vez tornou à Luz, estação de destino, ponto de encontro e chegada.

Após uma série de encontros entre os dois coletivos (Refinaria Teatral e Teatro Documentário) com objetivo de compartilhar metodologias e articular propostas estéticas, em torno do desafio de refazer o percurso do protagonista João, os dois grupos conceberam a intervenção: “Las Putas Madres de la Luz”.

Uma série de interferências muito sutis compuseram a Gracias a la vida que ha dado tanto, na feira boliviana após um longo processo de aproximação dos bolivianos que trabalham em condições ilegais na região.

Uma barraca semelhante à de outros comerciantes da feira foi erguida pela Cia. Teatro Documentário. Os próprios atores fizeram isso, já chamando a atenção dos transeuntes. Conseguimos nos comunicar com um membro da sociedade Amigos da Rua Coimbra que anunciou por alto-falante o horário que começaríamos a apresentação. Ao invés de mercadorias, ofereceríamos histórias contadas por atores com objetos de costura.